sábado, 19 de novembro de 2011

Ídolo com "I" maiúsculo



Começou com um burburinho, uma agitação. Eis que o local, uma livraria com luz sóbria e clima intelectual, fica iluminado por holofotes ante a chegada de um Ídolo, mas não era um qualquer. Um Ídolo com "I" maiúsculo: Arthur Antunes Coimbra, Zico para uma nação. Nem eram necessários os aparatos de iluminação. O Galinho de Quintino tem luz própria e carimba sua condição atendendo a todos.
Todos, absolutamente todos: Autógrafos, fotos e entrevistas. Não negou a ninguém. Inclusive a este que escreve esses traços emocionado por ter estado perto do seu Ídolo de infância.
Zico foi o maior que vi jogar. Nas peladas pelas ruas, campos e areia das praias era nele que eu me inspirava. Quantas vezes a praia do Boqueirão, em Santos, foi transformada em Maracanã pela imaginação. O Galinho fazia parte dela.
Sou palmeirense desde o útero, mas como era difícil torcer para o Verdão no início dos anos 80. Além do jejum de títulos, jogadores como Carlão, Perivaldo, Osias, Carlos Alberto Seixas, Darinta...Sofríveis! Tínhamos Leão, Luis Pereira, Jorginho Putinatti, Pedrinho, mas eram andorinhas isoladas que mal faziam vento. Verão? nem pensar!
O jeito era acompanhar um timaço que jogava um futebol fantástico e passava pela melhor fase de sua história: O Flamengo de Zico. Não me tornei rubro negro. Virei "Ziquista". Ele participou das minhas decepções futebolísticas infantis, as Copas de 82 e 86, mas não foram suficientes para apagar a admiração pelo seu futebol exuberante.
Fui à livraria Travessa do Shopping Leblon em busca de fontes para um especial sobre os 30 anos do título Mundial Interclubes vencido pelo Flamengo para o site Trivela.com. Lá ocorria o lançamento do livro 1981, de André Rocha e Mauro Beting, que retrata o ano fantástico de conquistas do rubro negro carioca. Entrevistei algumas personalidades, inclusive os autores, mas meu feeling dizia que Zico ia aparecer. Cheguei às 18 horas e já eram quase 22. O Shopping ia fechar, mas ele apareceu e não decepcionou ninguém. Me concedeu a entrevista e, logo após, o prazer de tirar uma foto.
É emocionante estar ao lado desse cara. O Jornalismo me proporcionou esse privilégio.
Zico foi um jogador de futebol espetacular. Arthur Antunes Coimbra é um homem espetacular. É um Ídolo com "I" maiúsculo.

Palavra de Aló.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Brasil só jogará no Maracanã se for à final da Copa



Foram 57 tabelas elaboradas e os geniais dirigentes da Fifa + o povo do comitê para a realização da Copa 14 liderados por Ricardo Teixeira não perceberam que, no caminho da Seleção, o Maracanã só ficará pintado de verde e amarelo numa eventual final.
Ninguém se inspirou nesse logotipo horroroso que parece uma pessoa pensando. Faltou pensar só um pouquinho. Copa do Mundo no Brasil e Maracanã sem seleção Brasileira. Gênios!
Na entrevista logo após o anúncio, Teixeira mostrou-se surpreso com esse fato.
Ah, mas o Brasil chegará à final, disse o chefão. Que certeza é essa hein?
A Seleção fará a abertura da Copa jogando em São Paulo, depois irá à Fortaleza e Brasília.
Se ficar em 1º do grupo o caminho é o seguinte: Belo Horizonte (oitavas de final), Fortaleza (quartas), Belo Horizonte (semifinal) e Rio de Janeiro (final).
Se for o 2º colocado: Fortaleza (oitavas), Salvador (quartas), São Paulo (semifinal) e Rio de Janeiro (final).
Agora vem a pergunta: Por que BH e Fortaleza aparecem duas vezes seja qual for o caminho? Não poderíamos ter um jogo no Rio de Janeiro nas oitavas? Em 1950, a Seleção jogou cinco vezes no Maraca.
Não gostei dessa ideia de haver um rodízio de seleções pelas sedes. Os maiores problemas de nosso País são mobilidade urbana, aeroportos e hospedagem. Isso vai ser um samba do crioulo doido: pegar uma seleção que jogou em Porto Alegre e depois jogá-la pra Recife, por exemplo. O Brasil tem dimensão continental e isso vai prejudicar quem menos importa para Fifa: os torcedores.
Quase dois anos e meio para o mundial e temos poucas certezas: O Brasil faz a partida inaugural em São Paulo, as semifinais serão em Belo Horizonte e São Paulo, a disputa de 3º lugar em Brasília e a final no Rio de Janeiro.
Achei que Porto Alegre e Curitiba não tiveram tanta atenção. A capital paranaense terá apenas quatro partidas na fase de grupos, como os gaúchos que também terão uma partida das oitavas de final.
E a Copa das Confederações? Terá partida inaugural em Brasília, semifinais em Fortaleza e Belo Horizonte e final no Rio de Janeiro. Há a possibilidade de Recife e Salavador também serem sedes, mas só em junho de 2012 quando haverá uma posição sobre a construção dos estádios dessas cidades, saberemos se isso acontecerá porque estamos no País em que tudo é feito nas coxas. Ridículo!
Enfim, vamos aguardar se algum dos gênios "elaboradores" de tabela corrija isso e bote o Maracanã no caminho da Seleção antes da final.
Que certeza é essa de que o Brasil vai à final hein Teixeirão? Hum...

Palavra de Aló.

Terceiro uniforme do Mengão: Traje de gala para o baile adversário



Que baile! Um baile de gala, daqueles bacanas, inesquecível para os formandos, foi protagonizado no Engenhão pelos "alunos" da Universidad de Chile. A aula de bola que o Flamengo tomou, 4 a 0, poderia ter sido pior não fossem o gol mal anulado e o pênalti perdido pelos chilenos.
Uns atribuem essa derrota a falta de atenção rubro negra, outros dizem que o Mengão não vem jogando bem e a partida deixou isso evidente, mas... a explicação futebolística pode vir pelo fato do time ter usado seu terceiro uniforme.
Pode parecer besteira, superstição ou folclore, mas essa camisa diferente carrega uma maldiçããããão. O time da Gávea teve seis versões de terceiros uniformes e com eles jogou 20 partidas. Foram apenas 2 vitórias, 7 empates e ontem completou sua 11ª derrota.
Definitivamente é o traje de gala para o baile adversário.
Algumas são até bonitas. A mais marcante foi a de 2010, com listras horizontais em azul e ouro, lembrando as cores originais do clube e carinhosamente apelidada de camisa do Tabajara FC.
Segundo o estatuto do clube, o terceiro uniforme só pode ser usado três vezes por ano, com intervalo de 30 dias e somente quando o Flamengo for mandante – a pelo menos 100 quilômetros de distância do Rio de Janeiro. O Engenhão não se encaixa nesse último quesito. Mudaram o estatuto ou descumpriram a norma?
Acredito que, depois desse 4 a 0, o bonito terceiro uniforme rubro negro será mais uma vez aposentado.
A intenção é abrir um leque de opções para o torcedor e vender cada vez mais, mas essa maldiçããããão pode afastar a ideia da criação de futuros uniformes número 3.

COPA SUL-AMERICANA

FLAMENGO 0 X 4 UNIVERSIDAD DE CHILE

Árbitro: Saul Laverni (Argentina)
Assistentes: Ariel Bustos (Argentina) e Juan Belatti (Argentina)
Cartão Amarelo: Welinton, David Braz, Renato (Fla); Diaz, Marcos Gonzáles (Univ)
Cartão Vermelho: Airton (Fla); Castro (Universidad)

Gols: UNIVERSIDAD: Rojas aos 13 e Vargas aos 41 e 43 minutos do primeiro tempo; Lorenzetti aos 26 minutos do segundo tempo

FLAMENGO: Felipe; Galhardo (Jael), David Braz, Welinton e Junior Cesar; Aírton, Willians, Bottinelli (Renato Abreu) e Thiago Neves; Ronaldinho Gaúcho e Deivid (Maldonado)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

UNIVERSIDAD DE CHILE: Herrera; Rodríguez, Marcos González, Osvaldo González e Rojas; Aránguiz, Díaz, Mena (Gallegos) e Lorenzetti (Rivarola); Vargas e Castro
Técnico: Jorge Sampaoli

Palavra de Aló.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Chef Mano Menezes



Mano Menezes é um bom técnico. E só. Tem ovos pra fazer uma baita omelete, bem recheada, com tempero tipicamente brasileiro, mas...será ele um chef de restaurante internacional ou apenas sabe fazer um belo picadinho do boteco da esquina?
A hora tá chegando! Um ano e pouco de trabalho e não temos time. Estão pensando em 2014, mas e a Copa das Confederações? 2013 amigo!
O futebol brasileiro é como escreveu Pero Vaz de Caminha em sua carta ao rei de Portugal: "Aqui se plantando tudo dá". Vão surgir novos frutos para 2014, a safra não é brilhante, mas é ótima. Entretanto, Mano já tem que estar com esse grupo montado em pelo menos 80% até o final de 2012. Deve deixar uma brecha para novos talentos, coisa que Dunga não fez em 2010.
Hoje temos que apostar nessa geração 2014: Neymar, Ganso, Lucas, Casemiro, Leandro Damião, Oscar, Dedé, Cortês, Danilo, Rômulo e mesclar com os mais experientes Ronaldinho, Kaká, Fred, Julio Cesar, Daniel Alves, Thiago Silva, Marcelo, Lucas Leiva, Ramires, se estiverem bem em seus clubes. Os últimos citados devem segurar as pontas pra geração 2014 brilhar.
Só nesse parágrafo citei uma lista de 20 jogadores. São 23 para a Copa. Um ou outro nome pode ser alterado, mas a base vai ser mais ou menos essa.
Manoooo: Vamos pensar mais em formar um time e fazê-lo jogar do que manter-se em seu cargo? Faça um curso de culinária pra melhorar o sabor de seus pratos.
O povo brasileiro agradece.

Palavra de Aló.

PS: Ganhar da Argentina, mesmo com o time D, é muito bom! 2 x 0 com um golaço de Lucas e Neymar. Dá-lhe Brasil!

domingo, 11 de setembro de 2011

10 palavras para os 10 anos do 11/09

O tempo voa. Há 10 anos o mundo parou estarrecido em frente à televisão. Me lembro como se fosse hoje: o 11 de setembro DE 2001 caiu em uma terça-feira. Eu estava no hospital Beneficência Portuguesa, em Santos. Internação de uma parente e, enquanto aguardava a papelada na apertada sala de espera, vi a imagem do caos na pequena tela de 14 polegadas da TV antiiiiiiga que lá havia. Quando o primeiro avião bateu na torre ninguém imaginou que seria um atentado. "Foi um acidente horrível!", exclamou o apresentador. Quando o segundo avião chocou-se, todos, absolutamente todos naquela sala de espera, deram um salto pra trás. Nunca a frase "Meu Deus!" foi usada tantas vezes em um mesmo local. Finalmente chegaram a conclusão de que era um ataque.
Um ataque à SOBERBA americana. Um ataque ao PODER americano. As torres GÊMEAS do World Trade Center eram um símbolo disso tudo. Por serem gêmeas deveriam representar a IGUALDADE entre os homens. Depois do 11 de setembro, os norte-americanos caíram na real. Passaram a ter MEDO. Esse atentado serviu pra mostrar a FRAGILIDADE de uma nação frente ao inesperado, ao impensável. As imagens da TV de 14 polegadas mostravam o que parecia IMPOSSÍVEL: um ataque à maior nação do mundo. Demorou pra cair a ficha. Acredito que, depois desse episódio, os americanos desceram do salto e perceberam que são VULNERÁVEIS e não são os pseudos donos do mundo. Mas o sentimento de justiça estava em suas veias. Que justiça era essa? Matar Osama Bin Laden? Sim. Era o ORGULHO americano que falava mais alto. Isso não devolveria a vida daquelas milhares de pessoas que morreram com a queda das torres, mas a derrocada do mentor daquele atentado era como um trofeu e isso aconteceu 10 anos depois. Obama pegou Osama. Acabou?
Nesse texto destaquei nove palavras. Mas não são 10 palavras para os 10 anos? Sim, falta uma né? PAZ. Será que algum dia essa pequena palavra vai ecoar nas mentes da humanidade? Dificilmente. Vivemos em um mundo onde a disputa vale mais do que um abraço.
"Gentileza gera gentileza", já dizia o profeta. Sem ódio no coração dos homens, quem sabe um dia a tão sonhada paz poderá acontecer.
Vou incluir uma décima primeira palavra: ESPERANÇA.

Palavra de Aló.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

EnGANAção



Vitória! Finalmente uma vitória! A Seleção Brasileira venceu a fortíssima Gana por um a zero, gol do atacante colorado Leandro Damião. Me enGANA que eu gosto! A proposta de um novo quadrado mágico com Ronaldinho, Ganso, Neymar e Damião trouxe esperança de futebol ofensivo e bonito de ser jogado, mas a contusão do meia santista logo aos oito minutos fez o sonho ir ralo abaixo. Bem pensamos...sai Ganso e entra Lucas. Lógico! Mano vai manter a ideia. Mas, pera aí...quem entrou foi ELIAS! Hein? Não entendi, mas tudo bem. É um amistoso que serve para trazer a vitória de volta e uma pseudo tranquilidade ao técnico gaúcho. Apesar de não servir como parâmetro, tivemos coisas boas como a atuação de Marcelo, um Ronaldinho solto e demonstrando que pode ser o comandante dessa molecada em 2014 e as movimentações de Neymar e Damião.
A Copa de 2014 está mais perto do que se imagina. Um time tem que ser formado. A única competição oficial será a Copa das Confederações em 2013. Até o final do ano teremos mais amistosos contra seleções ridículas e uma reedição da Copa Rocca contra a Argentina com jogadores que atuam aqui em solo brasileiro. Aliás eis a convocação para as duas partidas contra os hermanos:

GOLEIROS:Jefferson (Botafogo)Fábio (Cruzeiro)Rafael (Santos

LATERAIS:Danilo (Santos)Mário Fernandes (Grêmio)Cortês (Botafogo)Kleber (Internacional)

ZAGUEIROS:Henrique (Palmeiras)Réver (Atlético-MG)Rhodolfo (São Paulo)Dedé (Vasco)

VOLANTES:Rômulo (Vasco)Paulinho (Corinthians)Ralf (Corinthians)Casemiro (São Paulo)

MEIAS:Cícero (São Paulo)Lucas (São Paulo)Renato (Flamengo)Ronaldinho Gaúcho (Flamengo)Thiago Neves (Flamengo)Oscar (Internacional)

ATACANTES:Leandro Damião (Internacional)Neymar (Santos)Fred (Fluminense)

Sem comentários pra essa convocação. Nem vale a pena queimar a pestana.Vamos parar de enGANAção e trabalhar duro pra ganhar a Copa 2014.

Palavra de Aló.

PS: O goleiro Fábio, machucado, foi trocado por Vítor (Grêmio).

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A América é Santista



O mar branco invadiu o vale do Pacaembu. As ondas misturaram-se com o fogo. O caldeirão tava aceso pra empurrar o Alvinegro Praiano pra cima dos Carboneros, mas no primeiro tempo os uruguaios vieram com o propósito de segurar a onda santista e conseguiram. Um zero a zero conquistado dando apenas uma oportunidade clara de gol em uma chegada de Léo que chutou pra fora a chance com seu pé direito.
No vestiário do Peñarol a empolgação, no santista um pingo de preocupação.
Início de segundo tempo e o mar tava agitado: Uma Tsunami chamada Arouca arrastou a defesa Aurinegra e deixou o comandante do barco santista Neymar sozinho pra concluir: Peixe um a zero. Alívio!
A preocupação mudou de lado.
Quando Danilo fez o segundo gol, o funcionário da Conmebol preparou a plaquinha com o nome do Santos para pregá-la na Taça. Mas uma infelicidade de Durval, que desviou o cruzamento para o gol de Rafael, tirou o prego da mão desse funcionário.
Pequeno momento de tensão no finalzinho da partida, mas nada que abalasse a calmaria do mar branco.
Final de jogo e, no lugar de ondas de alegria, um quebra-mar deixou feia a comemoração. Uma briga generalizada entre jogadores e indivíduos que não deveriam estar em campo. A quantidade de pessoas dentro do gramado foi inaceitável para uma final de torneio continental, fatos lamentáveis que não se vê na Europa.
Enfim, após uma emocionante entrada de Pelé ao gramado pra comemorar junto com os
jogadores, o capitão Edu Dracena levantou o cobiçado trofeu e começou a chuva de
papel picado para enfeitar o mar branco.
Aqui do Rio de Janeiro me veio à mente a imagem da Praça Independência lotada. Nego em cima da estátua, abraçando e beijando o José Bonifácio em êxtase!
Seria uma ressaca na praia do Gonzaga com o mar santista invadindo a praça.
É bonito de se ver.
A América é Santista. É Alvinegra pela terceira vez.
Venceu o futebol. Venceu quem foi ao Pacaembu jogar futebol. Venceu quem está acostumado com o mar.
Parabéns ao glorioso Alvinegro Praiano.

SANTOS 2 X 1 PEÑAROL-URU

Local: Estádio Municipal do Pacaembu, em São Paulo (SP)

Árbitro: Sergio Pezzota (Argentina)
Assistentes: Ricardo Casas e Hernán Maidana (ambos da Argentina)
Cartões amarelos: Neymar e Zé Eduardo (Santos); Alejandro González, Corujo e Freitas (Peñarol)

GOLS: SANTOS: Neymar, a um minuto do segundo tempo, e Danilo, aos 23 minutos do segundo tempo
PEÑAROL: Durval (contra), aos 35 minutos do segundo tempo

SANTOS: Rafael; Danilo, Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Adriano, Arouca, Elano e Paulo Henrique Ganso (Pará); Neymar e Zé Eduardo
Técnico: Muricy Ramalho

PEÑAROL-URU: Sosa; Alejandro González (Albin) (Estoyanoff), Carlos Valdez, Guillermo Rodríguez e Darío Rodríguez; Corujo, Aguiar, Freitas e Mier (Urretaviscaya); Martinuccio e Olivera
Técnico: Diego Aguirre

Palavra de Aló.