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sábado, 14 de abril de 2012

O bom e velho Alvinegro da Vila Belmiro




O Alvinegro da Vila Belmiro é um senhor enxuto. Completou 100 anos, mas tem alma de menino. Passou a adolescência tentando se firmar, buscando seu espaço. O primeiro título paulista veio na maturidade, aos 23 anos. Mais vinte anos se passaram para que o terreno sagrado da Rua Princesa Isabel pudesse receber a bênção divina. As duas conquistas seguidas aos 43 e 44 anos serviram como cartão de visitas. Deus percebeu que aquele senhor queria mais. Muito mais! Então o presenteou com um iluminado Edson. Não o inventor da lâmpada, mas sim o REInventor do futebol. Um Rei para que ele pudesse dominar o mundo. Que época feliz aquela do senhor Alvinegro. Dos 46 aos 57 anos conquistou dez paulistas, cinco brasileiros, os bicampeonatos da Libertadores e Mundial, o Planeta Terra, o Sistema Solar, a Via Láctea e o Universo. Ufa! Haja fôlego para o vovô garoto. Aos 62 ele perdeu parte de sua alma. Seu Rei disse adeus. Então Deus ponderou: "Você precisa de um descanso para esse coração cara!", mas ele não queria esse descanso não. Dois suspiros, um aos 66 e outro aos 70, pareciam devolver o senhor às glórias. Ledo engano. A escassez dos primórdios voltou. Ele foi parar na UTI. As más línguas falavam que estava nas últimas. Mas o destino, ah o destino... Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Pois é, para o senhor Alvinegro caiu três. Aos 90, um raio chamado Robinho tirou o senhor da UTI e devolveu-lhe a força de um menino. Segura o velho agora! Ganhou mais e mais! Aos 92, 94 e 95. Então Deus percebeu que o vovô ainda tinha o poder e resolveu recolocar o Rei do Mundo em sua vida. O terceiro raio atende pelo nome de Neymar. E o velhinho foi aumentando sua galeria sem se importar com a idade. Aos 98, duas conquistas! E aos 99, se tornou três vezes dono da América. O que esperar desse senhor aos 100 anos? O velhote tá em forma. Tem muito gás para escrever mais 100 anos de glórias.
Parabéns senhor Alvinegro da Vila Belmiro. O Santos vive no coração de muita gente!

Palavra de Aló.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Deuses 4 x 0 Santos - Barcelona campeão mundial de clubes 2011



Na disputa de Deuses contra Santos, os moradores do Olímpo deram aula. O placar de 4 a 0 mostrou que a superioridade divina foi evidente.
Messi, o Zeus da bola, desfilou sua genialidade no espaço sideral que o Santos deu de presente ao Barcelona. E dar espaço a esse time é fatal. Xavi, Iniesta, Fábregas e Tiago Alcântara se movimentaram tanto que nem todos os Santos foram capazes de alcançá-los. Os santistas ficaram atônitos.
Entrar com Léo no lugar de Elano tinha seu motivo: barrar Daniel Alves e tentar apoiar o ataque pela esquerda, coisa que não aconteceu contra o Kashiwa. Não deu certo, alías deu o contrário. O lateral do time catalão jogou de ponta-direita e anulou qualquer chance de Léo jogar. O santista foi ao ataque apenas uma vez durante os 90 minutos. Essa opção de Léo em detrimento a Elano tirou um jogador do meio de campo santista. Era melhor ter povoado o meio. O Barcelona passeou por ali.
Neymar, o santo do futebol moleque, quase não teve chances. Apenas uma "cabeçada" de orelha e outra cara a cara com Valdés. Quem mais tentou foi Borges. Mal fez cócegas nas mãos do goleiro azul grená.
Muricy não foi ousado. Fez alterações do tipo seis por meia dúzia. Podia ter tirado um zagueiro e colocado um atacante para por o time mais a frente. Pelo menos uma alternativa para melhorar a equipe. Não a fez.
O que mais me incomodou foi a passividade dos santos perante os deuses. Podiam ter atacado mais, tentado mais - parece música dos Titãs - mas infelizmente não foi o que aconteceu.
Foi uma aula de futebol. Que os brasileiros, não só os santistas, reaprendam a jogar com esse Barça. Porque era assim que jogávamos antigamente. Com posse de bola, tabelas e habilidade. Essa derrota tem que servir para matar o conceito de "futebol de resultados". É possível.
O time catalão teve 71% de posse de bola. Se estou com a pelota, minha chance de vencer aumenta. Foram 16 chutes a gol, o dobro dos santistas. Os times só foram iguais no número de faltas: 13 para cada. Foi um passeio!
Esse Barcelona já pode ser considerado um dos melhores times dos últimos tempos. Pelo que conquistou, pelo trabalho de base, o fantástico Pep Guardiola e, principalmente, pelo que joga.
Um timaço de Deuses do futebol!
Parabéns ao Barça!!

FICHA TÉCNICA

SANTOS 0 X 4 BARCELONA

Local: Estádio Internacional de Yokohama (Japão)
Data: 18 de dezembro de 2011
Público: 68.166 espectadores

Árbitro: Ravshan Irmatov (Uzbequistão)
Cartões amarelos: Piqué e Mascherano (Barcelona); Edu Dracena e Paulo Henrique Ganso (Santos)

Gols: BARCELONA: Messi, aos 16, Xavi, aos 23, Fábregas, aos 45 minutos do primeiro tempo; Messi, aos 37 minutos do segundo tempo.

SANTOS: Rafael; Edu Dracena, Bruno Rodrigo e Durval; Danilo (Elano), Henrique, Arouca, Paulo Henrique Ganso (Ibson) e Léo; Neymar e Borges (Alan Kardec)
Técnico: Muricy Ramalho

BARCELONA: Valdés; Daniel Alves, Puyol (Fontas), Piqué (Mascherano) e Abidal; Busquets, Thiago Alcântara (Pedro), Xavi, Iniesta e Fábregas; Messi.
Técnico: Josep Guardiola


Palavra de Aló.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A América é Santista



O mar branco invadiu o vale do Pacaembu. As ondas misturaram-se com o fogo. O caldeirão tava aceso pra empurrar o Alvinegro Praiano pra cima dos Carboneros, mas no primeiro tempo os uruguaios vieram com o propósito de segurar a onda santista e conseguiram. Um zero a zero conquistado dando apenas uma oportunidade clara de gol em uma chegada de Léo que chutou pra fora a chance com seu pé direito.
No vestiário do Peñarol a empolgação, no santista um pingo de preocupação.
Início de segundo tempo e o mar tava agitado: Uma Tsunami chamada Arouca arrastou a defesa Aurinegra e deixou o comandante do barco santista Neymar sozinho pra concluir: Peixe um a zero. Alívio!
A preocupação mudou de lado.
Quando Danilo fez o segundo gol, o funcionário da Conmebol preparou a plaquinha com o nome do Santos para pregá-la na Taça. Mas uma infelicidade de Durval, que desviou o cruzamento para o gol de Rafael, tirou o prego da mão desse funcionário.
Pequeno momento de tensão no finalzinho da partida, mas nada que abalasse a calmaria do mar branco.
Final de jogo e, no lugar de ondas de alegria, um quebra-mar deixou feia a comemoração. Uma briga generalizada entre jogadores e indivíduos que não deveriam estar em campo. A quantidade de pessoas dentro do gramado foi inaceitável para uma final de torneio continental, fatos lamentáveis que não se vê na Europa.
Enfim, após uma emocionante entrada de Pelé ao gramado pra comemorar junto com os
jogadores, o capitão Edu Dracena levantou o cobiçado trofeu e começou a chuva de
papel picado para enfeitar o mar branco.
Aqui do Rio de Janeiro me veio à mente a imagem da Praça Independência lotada. Nego em cima da estátua, abraçando e beijando o José Bonifácio em êxtase!
Seria uma ressaca na praia do Gonzaga com o mar santista invadindo a praça.
É bonito de se ver.
A América é Santista. É Alvinegra pela terceira vez.
Venceu o futebol. Venceu quem foi ao Pacaembu jogar futebol. Venceu quem está acostumado com o mar.
Parabéns ao glorioso Alvinegro Praiano.

SANTOS 2 X 1 PEÑAROL-URU

Local: Estádio Municipal do Pacaembu, em São Paulo (SP)

Árbitro: Sergio Pezzota (Argentina)
Assistentes: Ricardo Casas e Hernán Maidana (ambos da Argentina)
Cartões amarelos: Neymar e Zé Eduardo (Santos); Alejandro González, Corujo e Freitas (Peñarol)

GOLS: SANTOS: Neymar, a um minuto do segundo tempo, e Danilo, aos 23 minutos do segundo tempo
PEÑAROL: Durval (contra), aos 35 minutos do segundo tempo

SANTOS: Rafael; Danilo, Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Adriano, Arouca, Elano e Paulo Henrique Ganso (Pará); Neymar e Zé Eduardo
Técnico: Muricy Ramalho

PEÑAROL-URU: Sosa; Alejandro González (Albin) (Estoyanoff), Carlos Valdez, Guillermo Rodríguez e Darío Rodríguez; Corujo, Aguiar, Freitas e Mier (Urretaviscaya); Martinuccio e Olivera
Técnico: Diego Aguirre

Palavra de Aló.